domingo, 14 de janeiro de 2018

Treinadores deveriam buscar no passado alternativas para o presente

Dia do Treinador, comemorado neste domingo, nos remete à reflexão sobre atividades e posturas desses profissionais.
Da mesma forma que continuam levando um pé no traseiro após sequência de maus resultados, não hesitam em romper compromissos assumidos ao primeiro aceno de vantagens em outros clubes.
Caso recente e ilustrativo foi do treinador Fernando Diniz, que às vésperas do Campeonato Paulista da Série A2 abandonou o barco, e ainda ironizou com alegação que deixou plantada uma sementinha no Guarani.

Imagem capturada no Facebook
Imagem capturada no Facebook
Há um movimento da categoria em que se postula garantias de permanência no cargo do clube contratante, mas é sabido que a reivindicação colide com a cultura do futebol brasileiro. Sempre prevalece pressões de torcedores para derrubada do profissional.
TRABALHO DE CAMPO
Treinadores da nova geração valorizam demasiadamente estratégias táticas, de forma que as suas equipes tenham equilíbrio entre compartimentos.
Treinos fechados, como esconderijo dos ensaios da bola aérea ofensiva em cobranças de faltas e escanteios, estão incorporados à planilha semanal.
O bom marketing pessoal passou a ser um troço imprescindível para o comandante.
Alguns enrolam com facilidade cartolas e repórteres incautos sobre futebol, com palavreado fluente e elucubrações.
Já que se debruçam nos estudos atrás daquilo que chamam de aprimoramento, por que não mergulham no passado para descoberta de aspectos técnicos tão valorizados pelos treinadores da velha guarda.
Outrora, laterais se condicionavam a cobrir o meio da área até no jogo aéreo. Assim, ao final de carreira, não estranhavam a fixação como zagueiros.
Carlos Alberto Torres, Djalma Santos, Bezerra, Mauro Cabeção e Leandro do Flamengo são alguns dos exemplos.
CILINHO
Há 60 anos, quando o ex-treinador Cilinho integrava o time juvenil do Guarani como quarto-zagueiro, seu treinador V8 ensinava-lhe a cabecear a bola para os lados do campo, já visando a colocação de companheiro desmarcado, quando da intercepção.
Hoje, prevalece basicamente o zagueiro rebatedor pra quaisquer dos lados, ou preferencialmente espana a bola à sua frente, presenteando ao adversário.
Caso típico é do garoto Reinaldo da Ponte Preta, agora promovido de vez ao profissional.
LEANDRO ZAGO
Vê-se claramente que o treinador dos juniores da Ponte, Leandro Zago, se preocupou mais com aspectos táticos, com agrupamento de jogadores, de que correção de defeitos técnicos de seus atletas.
O lateral-direito Emerson tem deficiências na marcação e não distingue com precisão a sequência da jogada ofensiva. Faltou trabalho de aprimoramento.
Geralmente volantes de clubes são atletas com mais liberdade pra controlar a bola já no campo adversário.
Eis a questão: quantos deles são talhados a finalizações de longa distância? Quantos são realmente treinados para essa incumbência?
Será que aquele treino dos antigos ponteiros ensaiando consecutivos dribles sobre laterais tem-se repetido nos treinamentos?
Não me digam que ponteiros foram sepultados do futebol. Ora, sempre alguém ocupa aquele espaço do campo.
ZÉ DUARTE
O saudoso treinador Zé Duarte realizava esse ensaio a exaustão, e ainda criava a opção de laterais e meias encostarem na jogada, para triangulações que invariavelmente terminavam com o ponta chegando ao fundo de campo. Aí, o cruzamento para atrás ora ocorria na bola rasteira, ora no alto.
Você tem visto sequência dessas jogadas aplicadas pelos tais treinadores da nova geração? Não, né?

Zé Duarte
Zé Duarte
Evidente que o debate ganha característica de coisa infindável, mas, pra não alongar, eis a última perguntinha: será que a treinadorzada do Brasil prestou atenção de como jogadores sul-americanos se condicionaram pra receber a bola mesmo marcados, no campo ofensivo?
Isso contrasta com a filosofia doméstica de rodar a bola com jogadores desmarcados, até que se encontre um atalho para a exploração.
Pra receber a bola marcado o atleta precisa saber usar bem o corpo, visando protegê-la. É evidente que o atleta sul-americano é treinado para se condicionar ao estilo. Enquanto isso, por aqui...
Que tal, então, se copiar esse bom exemplo, pra que seja dada continuidade ao sentido vertical das jogadas?

Por Blog do Ari - Futebol Interior

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